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Mostrando postagens com o rótulo Pensamentos

Financiando o aborto

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Você é contra ou a favor da legalização do aborto aqui no Brasil? Eu sempre me posicionei contra esse procedimento como forma contraceptiva, ou seja, o casal foi descuidado e depois usa esse meio para "corrigir o problema". Nem vou entrar aqui nas outras razões que podem levar a um aborto, como a violência sexual, risco de vida da mãe ou má formação do bebê. O ponto de partida dessa reflexão deve girar em torno de gente que poderia evitar isso e resolve não fazê-lo. Posto isso, vem a parte da legalização. Confesso que até então não me incomodava o que a lei determinava, porque, no fim das contas, fazer ou não um aborto não era decisão minha. Logo, se tinha alguém com coragem o suficiente para ir adiante, o que eu poderia fazer? Mas agora não é bem assim. Comecei a pensar um pouquinho mais a frente e imaginar as complicações que isso vai ter, se o governo começar a disponibilizar o procedimento nos hospitais públicos. Vixi, nem estou conseguindo formular as ideia...

O tempo dos 30

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― Tia, você fala muito difícil! E eu pensava que era a pessoa mais simples do mundo. É muito difícil encontrar quem nos entenda como nós mesmos. Isso às vezes nos faz muito solitários, agora está mais do que claro. Estaríamos menos sozinhos se fôssemos mudos? Talvez. Mas a linguagem é apenas uma dentre tantas coisas que já não compartilhamos. Por exemplo, a profissão de datilógrafa. Eu mesma fiz um curso achando que seria muito útil. Foi um sacrifício só. Passava o dia na escola apenas com um pão e uma garrafinha de água, esperando a hora da aula. Treinava numa Olivetti antiga, com as letras todas cobertas com corretivo branco. Tinha que aprender a digitar sem olhar o teclado. ― Tia, o que é isso? ― É uma máquina de escrever, criança. ― E onde é a tela que aparece o que a gente escreve? Pois é. Minha geração e a da minha sobrinha, mesmo tão próximas, já não se entendem direito e não vemos a mesma realidade. Mesmo mundo, outra rotação. Eu agora com 30 anos e ela com 14...

Época genial

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Em uma ocasião de total despreocupação, sentei-me ao lado do meu professor de filosofia na faculdade, durante o intervalo do seminário semestral de Literatura e Cultura, proporcionado pela instituição de ensino que frequentei há uns anos. Ele era um senhor de moderados gestos, fala calma, tom sincero e sábio. Tudo nele combinava com um filósofo, pelo menos com um que eu idealizava. Ouvi-lo, mesmo contando o caso mais banal, era sempre um aprendizado, um mestre nato. Estávamos lá, olhando o movimento das pessoas e falando sobre programas de televisão em nossos dias. Muitas opiniões comuns, discursos surrados que ouvimos sobre exposição da violência, da imoralidade, da futilidade... essas coisas que estão aí na tela, é só ligar o aparelho e colocar em qualquer canal. O assunto evoluiu até chegarmos às personalidades inteligentes. Durante a conversa, concluí que eu tinha uma pontinha de tristeza por ter nascido numa época em que não se ouvia falar muito dos grandes gênio...

Tempestade ou copo d'água?

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2012: o cinema já deu versão, os cientistas continuam as pesquisas, a população se divide entre arrumar as malas ou arranjar mais dívidas...  É o fim do mundo, segundo algumas certezas antigas e os acontecimentos naturais confirmam (ondas solares, terremotos, erupções vulcânicas, nova edição do BBB); são as profecias...  As religiões se preparam para o salvamento e para agradecerem o milagre no dia seguinte; nenhum pânico em massa substancialmente organizado, mas algumas massas entram em um pânico secreto... Vamos vender todos os nossos bens (dinheiro pode ser necessário), restabelecer velhos laços de amizade e familiares, perdoar, pedir perdão, comer tudo o que sempre quis, adiantar as férias (melhor ainda, pedir demissão), ou, simplesmente se plantar de frente à paisagem favorita e pensar seriamente naquela pergunta sem resposta, com a qual sofremos desde os tempos mais remotos, tal qual uma pedrinha no sapato que, por muitas vezes, causa-nos sérias irritaçõ...

Ser educado pode causar longas esperas, descaso e coceira local

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Há quem diga que no tempo dos avós as pessoas eram mais formais e solidárias. É bem comum ouvirmos por aí que antigamente isso ou aquilo era melhor, e que hoje em dia todos os caminhos levam à desumanização de nossa espécie.  Pode ser. Não costumo tomar partido quando não sei minimamente do assunto, portanto não questionarei aqui se a educação era mais bem praticada e melhor recebida antes de eu nascer. Para falar a verdade, não me agrada muito a ideia de que depois que eu nasci algo ficou ruim. Não é uma ligação que ajuda muito na auto-estima, menos ainda na disposição em se envolver amigavelmente com os outros tripulantes dessa nossa era mal feita.  Repare só o desânimo de se passar a vida aprendendo e aprimorando um conceito como "ter educação para ser uma boa pessoa" e descobrir, aos vinte e tantos anos, que isso não serviu absolutamente para receber um mínimo de boa vontade e lisura do vizinho aqui do lado. Avaliando um caso recente de complicações ao e...

Apaixonar-se

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Sabem o que o dicionário diz a respeito da paixão? De curiosidade fui lá ver. Dentre as definições, estava:  "Perturbação ou movimento desordenado do ânimo." Concordei instantaneamente. Sem discussão. É isso e pronto. Para comprovar, é  só fazer as contas de quanto tempo acumulamos sentindo falta da outra pessoa, quantas vezes queremos ver, ouvir e senti-la; calcular as probabilidades de agradá-la, estar sozinho passa a ser menos interessante, menos praticável.  Ah, mas então podem dizer: não, esses cálculos não se aplicam à paixão, é sobre amor. Certo, certo. Mudou de nome o assunto. Voltemos ao dicionário:  "Sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conservar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração." Pronto! Agora sim, não dá mais para se ter certeza de nada. É amor ou paixão isso aí que você está sentindo? Só resta nos resignar à inexplicável capacidade de sentir e não dizer, apesar de quase todo mundo só acreditar que a...

Dívida divina

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Imagine Lutero, lá pelos anos de 1500, revoltando-se contra a venda das indulgências pela Igreja Católica e escrevendo as 95 Teses, que, em resumo, questionam a autoridade dos membros da Igreja e a maneira que encontraram de financiar a Basílica de São Pedro em Roma, concedendo por livre e espontânea condição de troca, um perdão por uma esmola.  Isso nos faz lembrar de algo? Pobre Lutero... Como seria agora, aqui pelos anos 2000, com a abundância de produtos e serviços oferecidos pelas inúmeras igrejas espalhadas por todo canto, em troca de uma esmolinha? Vendem-se perdões, milagres de muitos tipos, "puxadinhos" no céu, uma viagem de volta à Nova Terra... São tantos, que não vão caber na minha nem na sua paciência.  Para que o necessitado adquira uma dessas ilusões, usa-se de tudo um tudo: caixas de coletas, contas bancárias, carnês, agentes especializados que vão recolher sua contribuição no endereço de sua residência, do seu trabalho, e dar baixa na sua dívida...

O que se leva

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É difícil compreender como algumas pessoas sentem tanta necessidade de mostrar ao mundo, a todo custo, o sofrimento pela morte de um famoso que nunca nem viram de perto. Bom, cada um tem seu jeito. É uma condição irrevogável, que facilita muito se entendermos e aceitarmos logo.  A minha opinião pode alcançar quem concorde, discorde, ou quem simplesmente ache tudo insignificante. Duvido muito ser importante o modo pelo qual expresso meus sentimentos em relação à morte de um grande artista, se sofro a ponto de me vestir como ele e sair por aí fazendo imitações ridículas, ou se faço greve de fome, de banho, de silêncio...  Para mim, mais produtivo e prático seriam uns momentos de reflexão. Mortes semelhantes à de Amy Winehouse poderiam nos fazer pensar em como alguns lidam com a vida, enfrentam as dificuldades, cuidam de sua própria existência, e como se vão de um jeito tão estúpido, levadas pela própria ação. Não digo que Winehouse, ou outro alguém com a mesma sor...

Iguais e semelhantes

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Um amigo me disse certa vez que o seu relacionamento conjugal era baseado em lealdade e não em fidelidade, pois para ele eram coisas diferentes. Mas é claro que são diferentes, mesmo que na prova de português você tenha que dizer que são semelhantes. Não existem palavras sinônimas que expressem a mesma coisa. Casos como esse fazem da Gramática Normativa a coisa mais mal falada durante nosso processo de aprendizagem, e depois dele também. Quanta ruindade naquelas regrinhas de acentuação! E a separação silábica? É um veneno. A malvadeza se espalha por todos os verbos e locuções! É um tormento só de olhar! Mas, em vez de propormos uma trégua, a gente briga. E reclama. Cadê o tal sinônimo perfeito? Está escrito aqui que tem que ser palavra com o mesmo significado. E agora? Estar triste sem estar infeliz já derruba qualquer gracinha da Semântica. E ser agradável em qualquer caso, seja reto ou oblíquo, não é de forma alguma ser simpático. Tentamos nos expressar da melhor fo...

Alcance o impossível

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“A energia das ondas... a resistência das pedras... a força do vento... Para superar seus limites, é preciso acreditar que eles não existem... Ironman, a nova fragrância masculina da Avon” (Divulgação no site Memória da Propaganda).  O ponto de vista é tudo, diria Nietzsche. Um princípio argumentativo que viabiliza a apresentação de ideias convincentes e bem organizadas pode conseguir mais do que promover a verdade e a propagação do conhecimento. Sim, todo o conhecimento busca a verdade. Mas, a exemplo do que observamos hoje em dia, principalmente nas relações comerciais, em que a lógica consiste em ganhar dinheiro, tem-se a verdade através dos lucros. E estar em oposição à essa verdade não é bem estar na mentira.  Para uma multinacional, que emprega milhões em divulgação do seu produto artificial, que polui e que pode causar câncer, a premissa de que há pontos negativos em sua atividade é verdadeira? Claro que não. Há de se convencer de que seu produto, se bem ...