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Mostrando postagens com o rótulo Invenções

Conversa franca

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O primeiro dia no novo trabalho. Você é a pessoa que sabe menos sobre o exercício da nova função. E se depender do colega aí do lado, vai continuar sendo por muito tempo. Ninguém quer gente como você. Aí vem as expectativas: novo emprego, novos aprendizados, desafios... Então vamos partir para a briga e colher as informações necessárias para executar suas tarefas. Mas a luta cansa. Passou-se o dia e o máximo que conseguiu foi reparar que seus sapatos apertam os seus pés e que a impressora emperra se colocar mais que 100 folhas na bandeja. Quando chega em casa, está assim, sentindo-se um lixo, um qualquer de inteligênciazinha medíocre, que não consegue mais concatenar duas informações simples. Pois é claro, quando você quis saber do tal novo índice para concluir sua apresentação, todos lhe responderam prontamente com afirmações desencontradas e sem sentido, mas enfatizaram bem a importância da apresentação e que a economia muda muito. Segundo mês no novo trabalho, você ...

Última chamada

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Acho que todo mundo já passou por uma situação em que ouvimos uma coisa diferente do que está sendo dito. Verdade? Sabia! No meu caso, demorou um tempo para perceber. Precisei me dominar primeiro, conformar-me com pelo menos mais uma viagem de avião para, então, alcançar a mensagem obscuramente oculta por trás de todos aqueles informativos, que fatidicamente devem ocorrer em todos os voos, sejam para perto ou para longe.  E, se você ainda não se apercebeu da questão, o que é normal, já que estou contando isso com a linearidade de um bêbado caminhando com suas próprias pernas, vou levá-lo ao ponto da conversa em que meu cérebro, já esperto, enfim compreendeu os tais comunicados:  ― Senhores passageiros, bem-vindos ao voo 456, com destino a Brasília. ― É o que eu ouvi, mas não é o que estão dizendo. Certeza. O que querem mesmo que a gente entenda é o seguinte: "Se você não é desse voo e não está indo para esse lugar, caia fora agora mesmo. É sua última cha...

Quanto mais...

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Um bom programa no Rio de Janeiro: seguro, de fácil acesso, tem de tudo, desde os caras que cobram, engraxando ou não o seu sapato, passando pelos que oferecem táxi, cardápios, troca de moedas, até aqueles que fingem não estar vendendo nada, porque o que conta mesmo é o fato de estarem trabalhando numa loja super-chique de super-jóias.  Esse é o lugar para ir, a qualquer dia da semana, com a família. Por isso, lógico, estava eu lá com todos os meus sete filhos, a babá e minha esposa. Ocupávamos as cadeiras da sala de espera da Polícia Federal. Sala de espera não é bem verdade, estava mais para corredor da morte, onde o executado é o seu tempo.  Eu, mais 23 famílias, e umas oito pessoas que foram sozinhas (gente estranha essa que anda sozinha num lugar desses!), lotávamos o corredor de espera, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Ali, eram aguardados os números das senhas no painel eletrônico, suspenso sobre nossas cabeças. Meus filhos, e os outros tanto...

3 e vinte

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Ele, a 7750km de distância, 216 horas após beijo de despedida lá teu sono assisto em noite serena da manhã sorriso cá saudoso acena Ela, em resposta ao quase-poeta Viver cada segundo como nunca mais. Vinícius diz, nós já sabíamos. Já lembrávamos que há amanhã, E que vai passado e vira ontem. O que sobra são marcas na pele, Histórias efêmeras de dez mil e uma noites, Sobra tudo o que é importante Em segundos como nunca mais. E se vão em bits orgânicos Para o sonho que alimenta nosso delírio. Desde o início certo, há o amanhã, Além do mesmo sempre, e termina Feito de segundos como nunca mais. Após segundos marcados, Segundos descompassados, Segundos imortais. **

Sai da frente

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Você consegue imaginar que alguém seja atropelado por um veículo automotor enquanto atravessa uma passarela, em um dos lugares mais populares do Brasil? Se você é brasileiro, é claro que consegue. No Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, onde as tampas dos bueiros alcançam 15 metros, num voo vergonhoso de negligência das autoridades, isso é mais que possível, quase que completamente certo.  Outro dia, estava lá um cidadão, com sua pasta de negócios, subindo a rampa de uma das passarelas da Avenida Brasil, para chegar em segurança ao seu local de trabalho, que fica do outro lado desse córrego urbano, de leito revolto e poluído. Tinha a cabeça cheia, calculava as mil tarefas do dia para que todas coubessem em oito horas de expediente. Andava apressadamente para não se atrasar, consultando o relógio, prestando atenção ao movimento dos carros, quando de repente...  ― Sai da frente!!!  E uma buzina estridente grita junto com a voz do motoqueiro, sem capacete, q...

Lição de casa

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As crianças refaziam, a perder as contas, o tal círculo que serviria de base para a figura final. Muitos traços tortuosos, por causa da pouca prática nesse tipo de aventura, deixavam dúvidas sobre o que intencionavam desenhar. A professora orientava que, depois de unir as duas pontas da linha, uma "perninha" começaria a nascer pelo lado indicado na lousa e, assim, teríamos a primeira letra do nosso alfabeto, o que me desanimava bastante, já que teria de presenciar o nascimento de mais vinte e tantas. Sentia-me como um obstetra alterado. Ao fim do exaustivo exercício, precisava conferir e elogiar o trabalhinho de meus assistidos, Janice e Léo. Um casalzinho simpático que não se suportavam (e quem suportaria?), mas que se tornaram minha sentença, por ter invadido a sala dos professores para descobrir quem era o namorado da professora de francês. Isso porque ela era a única da escola que merecia minha pirraça adolescente. Hormônios descontrolados e imaturidade no mes...