domingo, 6 de janeiro de 2013

ALAMEDA

As estradas do Chile por onde passamos não são bem o que podemos chamar de comuns. Escolhemos uma rota alternativa, que nos desse a visão litorânea. Para isso, tivemos que nos colocar em pequenos trechos não muito apropriados para um carro de cidade, um pequeno (para nossas intenções) e bem usado Toyota.

Esses incertos “desatalhos” nos proporcionaram várias sensações, entre eles, temor, pois passávamos longos trechos sozinhos no meio do nada, sem ter como nos comunicar com a civilização, também nos deram muitas paisagens belíssimas, e outros tantos momentos de pura descontração.

Mas antes de contar a parte dos caminhos alternativos, devemos dizer como chegamos a ter, por contrato temporário, nosso objeto automotivo.

O aluguel:

Chegamos à locadora. Os funcionários estavam todos eles resumidos a apenas quatro. Um negócio pequeno, de família, percebia-se. O primeiro choque foi ter que assinar um cheque em branco como garantia, caso a gente destruísse o carro, o que não seria muito difícil, visto as condições da máquina, mas já chego nesse ponto. O segundo, foi saber que por lá se aluga o carro com o tanque vazio. É, isso mesmo! Todos sabemos que com tanque vazio, a única maneira de tirarmos um negócio desses do lugar seria empurrando. Mas a partir do momento em que você assina o contrato, esse problema passa a ser seu. “A Alameda não se responsabiliza por suas inaptidões de raciocício. Dá um jeito!”

Por sorte, ou não, há um posto de combustível do lado da locadora, o posto do Augustin. Falei dele em outra conversa aqui. Então, tivemos de arrastar o carro até lá e prover meios para o bichinho andar com as próprias rodas.

O estado do veículo:

Era um carro prata, ou foi assim um dia, nos tempos áureos de sua juventude. Alguns arranhões (normal) e amassadinhos. Por dentro, nada muito caprichado, no máximo passaram uma vassoura no tapete. A limpeza não era muito valorizada.

Depois que entramos, ajustamos os retrovisores e os bancos, giramos a chave e foi então que percebemos, pelo ruído, que algo estava solto no painel. Não soubemos bem em que local, mas certamente descobriríamos.

Estávamos indo muito bem pela rota oficial, sinalizada, em condições perfeitas de uso e desuso, até que começamos a arriscar caminhos menos povoados, criando nossa própria maneira de ver o que nos desse vontade. Apontava no mapa: “Esse lugar parece bonito. Vamos lá ver?” ou “O que é aquilo lá branco, gigante, no alto daquela montanha? Vamos lá?”. E assim fazíamos.

Os caminhos eram, na maioria das vezes, de terra, estreitos, com muitos buracos e com um dos lados em forma de um grande precipício; em outros, a subida era tão íngrime que duvidávamos que conseguiríamos passar. Mas passamos. E esses foram os melhores cenários de nossas melhores fotos.

No fim da viagem, ficamos satisfeitos com a escolha do carro. Ele aguentou mais do que imaginávamos. Está certo que subindo a trilha para chegar ao vulcão Villarica, ele começou a desmontar. Enfim descobrimos o que estava solto, pois caiu no nosso colo. A cena em que tentávamos dirigir e segurar o painel para não acabar de cair todo em cima da gente foi motivo de várias horas de risadas. Pena que faltou mão para tirar uma foto disso!

Voltando para devolver o carro, nova aventura. Apesar de o dono nos garantir que a loja abriria no domingo, não foi o que encontramos. Tivemos de levar o carro conosco para o hotel. O contrato estava terminado e agora o problema não era mais nosso. Deixamos então ele por lá e alguém da Alameda deve ter ido encontrá-lo. Pelo menos supomos que sim.