segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUANTO MAIS

Um bom programa no Rio de Janeiro: seguro, de fácil acesso, tem de tudo, desde os caras que pedem esmolas, engraxando ou não o seu sapato, passando pelos que oferecem táxi, cardápios, troca de moedas, até aqueles que fingem não estar vendo nada, porque o que conta mesmo é o fato de estarem trabalhando numa loja super-chique, que vende super-jóias, tudo valioso demais para quem anda de compacto popular.

Esse é o lugar para ir, a qualquer dia da semana, com a família. Logicamente, estava eu por lá, com todos os meus sete filhos, a babá e minha esposa. Estávamos todos ocupando as cadeiras da sala de espera da Polícia Federal. Sala de espera não é bem verdade. Está mais para corredor da morte, mas o que morre é o seu tempo, precioso ou não. Que importa?

Eu, mais 23 famílias, mais umas oito pessoas que foram sozinhas (gente sem visão!), lotávamos o corredor de espera, no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Ali, eram aguardados os números das senhas no painel eletrônico, suspenso sobre nossas cabeças. Meus filhos, e os outros tantos que estavam naquele pedaço, transformavam o ambiente numa creche barulhenta e inquieta. Choro por todos os lados, gritos, manhas, corpinhos jogados ao chão num simulado de convulsões e reclamações, com as perninhas quicando, os braços largados para todos os lados e as irritadiças vozes gritando juntas, cada uma com sua reivindicação. Não é o paraíso? Diz a verdade, você que não tem filhos, e não teve que tirar o passaporte em um lugar assim, está roendo os cotovelos de inveja.

Logo depois da reunião de nossas crianças com o resto das crianças do mundo, tivemos que sair de lá. Fui chamado, recebi o documento aguardado e convidaram-me a deixar o local o mais rápido possível. Ainda tem muito para visitar nos setores de embarque e desembarque, então fomos sem mais demora.

Mês que vem, minha esposa vai pedir o passaporte dela. Já estamos planejando o passeio. Dessa vez, levaremos os nossos quatro sobrinhos. São uns amores. Gargantas jovens, potentes, e idades iguais. São gêmeos! Todos eles. Irmão de sorte o meu. Fabrica em lote e vai economizar um bom dinheiro com festas de aniversários e presentes. Uma vida financeira com investimentos quase que infinitos no atacado.

Vou ver se consigo arranjar mais gente para ir também. Está interessado?

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