quinta-feira, 23 de maio de 2013

RE CONSTITUCIÓN

Constitución foi uma das cidades mais amistosas pelas quais passamos em nossas férias no Chile. Também foi umas das cidades mais devastadas pelo Tsunami, em 2010.

Chegamos à noite, como de costume, procurando lugar para dormir. Depois de muito andar, encontramos a pousada do Bom Velhinho - Hostel Maule era o nome oficial, mas raramente lembramos disso.

Preenchemos a ficha e fomos para o quarto. Era o quarto mais limpo e arrumado que vimos durante essa viagem. Tudo novo, papel de parede, piso, tinta, móveis, eletrônicos, lençóis, tudo parecia ter acabado de sair da loja.



No dia seguinte, fomos tomar café na sala comum e o dono da pousada ficou conversando conosco. Ele nos relatou como foi estar no meio do Tsuname. A sua casa foi totalmente destruída, por isso tudo era tão novo. Mostrou-nos uma foto das suas ruínas em uma revista. Contou-nos que o terremoto fez as ruas se retorcerem como serpentes, descreveu-nos com uma certa tranquilidade o inevitável.

Após essa imagem descritiva, saímos pelas ruas, observando o contraste do que já havia de novo, reconstruído recentemente, com a parte ainda em destroços, com muitas casas abandonadas, caindo as paredes, sem teto, rachadas, quarteirões inteiros destruídos como em um cenário de filme de guerra. Dava para sentir uma pequena fração da força do que passou por ali.














E mesmo com tudo isso, precisamos dizer, os cenários naturais que vimos eram belíssimos. As praias, o horizonte, os jardins refeitos, muitas coisas para inspirar a resistência desse povo, permanecendo ali com suas famílias, tendo suas vidas enraizadas na terra de seus pais, em casas novas que não lembram mais as da infância, seguindo uma rotina de reconstrução constante do ânimo e conciliando a esperança, iminência de um possível novo desastre e as placas que marcam a rota de fuga da sobrevivência, para que possam voltar, mais uma vez, depois que a onda passar, e começar tudo de novo.



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